Devocional: A Torre Mais Distante do Céu
- Natan Nunes
- 1 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
“Depois disseram: ‘Vamos construir uma cidade, com uma torre que alcance os céus. Assim nosso nome será famoso e não seremos espalhados pela face da terra’.” – Gênesis 11:4

Na devocional de hoje vamos conhecer um dos projetos mais ambiciosos da humanidade que se tornou símbolo de orgulho e fracasso. À primeira vista, o projeto dos construtores de Babel poderia parecer admirável. Aquela geração, unida por uma só língua e um só propósito, demonstrava qualidades que valorizamos até hoje: união genuína, engenhosidade impressionante e uma ambição coletiva que desafiava os limites do conhecido. Eles desejavam algo que transcendesse a fugacidade da existência – um monumento permanente, um nome que ecoasse através das eras, uma obra que testemunhasse sua capacidade humana de moldar o mundo. Era, em sua superfície, um canto à conquista humana. No entanto, no coração silencioso daquele canteiro de obras, na motivação não declarada de cada tijolo assentado, havia uma ausência decisiva: Deus não estava convidado para aquela construção. Seu conselho não foi buscado, Sua bênção não foi desejada, Seu lugar foi ocupado pela autoglorificação.
A torre, portanto, nunca foi apenas um edifício de tijolos e betume. Ela se erguia, primeiro e principalmente, na alma daquela geração como um símbolo perene de uma vida construída sobre o alicerce frágil da autossuficiência. Era uma tentativa monumental de substituir o propósito divino pela glória humana, de trocar a dependência do Criador pela arrogância da criatura. Os construtores buscavam, literal e metaforicamente, chegar aos céus por suas próprias forças. Seu objetivo duplo – alcançar fama imortal e segurança geográfica – era, na verdade, uma rebelião sutil contra a ordem de Deus de espalhar-se e encher a terra. Era um projeto grandioso em escala, mas vazio em seu cerne, desprovido da única bênção que poderia dar-lhe significado duradouro e sustento verdadeiro. Eles construíam contra o céu, não para ele.
Hoje, não manipulamos tijolos de barro cozido ao sol, nem betumamos paredes para desafiar o firmamento. No entanto, com uma regularidade assustadora, erguemos em nossas vidas outras estruturas igualmente impressionantes e, por vezes, igualmente desalinhadas. Construímos torres ambiciosas com os tijolos de nossas carreiras, cimentadas pelo desejo de status e reconhecimento. Edificamos complexas fortalezas de segurança financeira, na esperança de que suas paredes nos protejam de toda incerteza. Planejamos meticulosamente cidades de sonhos pessoais, ruas de relacionamentos e praças de conquistas, dedicando anos, esforço hercúleo e criatividade notável a esses projetos. A questão crucial que emerge do vale de Sinear para os nossos dias não é se devemos construir, mas em quem confiamos como arquiteto-chefe. Nossa confiança está depositada na argila de nossa própria inteligência e na palha de nossa força limitada? Ou está alicerçada no Senhor, o divino engenheiro que dá sabedoria, concede propósito e sustenta todas as coisas com a palavra do Seu poder?
É vital compreender: Deus não é um oponente do progresso humano, da criatividade vibrante ou dos planos bem-intencionados. A narrativa da criação mostra um Deus que ordena ao homem cultivar e guardar, inovar e nomear.
O que Ele se opõe, com clareza e consequência, é o orgulho que O exclui, a autonomia que O ignora, o coração que diz: “A minha mão me enriqueceu”. Em Babel, Ele não confundiu as línguas por ser contra a arquitetura ou a urbanização. Ele interveio por ser radicalmente contra o coração que motivava a obra – um coração de autoexaltação e independência rebelde. Esse episódio permanece como um lembrete solene e atemporal: qualquer empreendimento, por maior, mais belo ou mais popular que pareça, se for edificado à margem dEle, está destinado, em seu nível mais profundo, à confusão de propósitos e ao fracasso espiritual. Pode permanecer de pé por um tempo, mas nunca alcançará o céu para o qual fomos verdadeiramente criados.
Questão para Reflexão:
Em qual área da sua vida você pode estar, mesmo sem perceber, assentando os tijolos da autossuficiência? Que “torre” você está construindo mais com o desejo de fazer um nome para si mesmo do que para glorificar a Deus e cumprir o propósito dEle?
Desafio de Oração:
Hoje, faça uma pausa intencional diante de Deus. Apresente a Ele, com as mãos abertas, seus projetos atuais, seus sonhos mais caros e seus planos para o futuro. Peça ao Espírito Santo que escave o solo do seu coração e revele com clareza se há alguma construção em andamento que avança sem a Sua bênção explícita e orientação ativa. Entregue-Lhe voluntariamente os alicerces de tudo o que você está erguendo. Submeta suas ambições à vontade soberana e boa dEle. Busque, acima de qualquer realização pessoal, que o seu nome seja esquecido nas sombras, para que o nome dEle seja glorificado na luz. Lembre-se e confie: o que é construído com Ele, por mais simples e obscuro que pareça, não apenas permanece, mas alcança a eternidade.






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