Devocional: Antes de Terminar de orar
- Natan Nunes
- 8 de jan.
- 3 min de leitura

“Eu nem havia terminado de orar no meu coração quando surgiu Rebeca, com o cântaro sobre o ombro. Dirigiu‑se à fonte e tirou água, e eu lhe disse: ‘Por favor, dê‑me de beber’.” – Gênesis 24:45
A oração, em sua essência, é um ato de confiança.
É o momento em que transferimos nossa ansiedade, nossos desejos e nossas necessidades das mãos trêmulas da nossa capacidade para as mãos firmes da providência divina. Mas o que acontece do lado de Deus enquanto oramos? O relato do servo de Abraão no poço de Naor nos oferece um vislumbre extraordinário e encorajador: Deus não apenas ouve; Ele age com uma sincronia que desafia nossa percepção do tempo.
O servo fora incumbido de uma missão sagrada e humanamente delicada: encontrar a esposa certa para Isaque, o filho da promessa. Diante da magnitude da tarefa, ele não recorreu a estratégias humanas, mas à oração específica e confiante. E, num momento que parece extraído de um cenário de fé perfeita, antes mesmo que a última sílaba de sua súplica silenciosa chegasse ao fim, a resposta andou em sua direção na forma de Rebeca, cumprindo minuciosamente cada sinal pedido.
Esta passagem é muito mais do que uma história sobre um encontro providencial; ela é uma janela para a natureza da oração e do cuidado de Deus. O servo nem havia terminado de orar. Isso revela um princípio poderoso para nossa vida de fé: quando nos colocamos em oração sincera e alinhada com a vontade de Deus, não iniciamos um processo de convencimento divino. Pelo contrário, entramos em um fluxo de atividade celestial que já está em andamento.
A oração não é o botão que liga Deus; é o canal pelo qual nos sintonizamos com o que Ele já está fazendo. Enquanto formulamos nossas palavras, Ele já está mobilizando circunstâncias, preparando corações e abrindo caminhos que nossos olhos ainda não veem.
Esta devocional nos convida a reavaliar nossa perspectiva sobre a oração. Muitas vezes, a reduzimos a um monólogo de pedidos, seguido por uma ansiosa espera por um “sim”, “não” ou “espere”. No entanto, a história do servo de Abraão nos mostra que a oração é, simultaneamente, súplica e processo de preparação divina em nós.
Enquanto falamos, Deus está realizando um duplo trabalho: age nas circunstâncias externas e alinha nosso coração internamente, nos moldando para reconhecer e receber a resposta da maneira certa e no tempo certo. Às vezes, a resposta parece imediata, como foi no poço. Outras vezes, há um intervalo. Esse “tempo de espera” raramente é um tempo de inatividade de Deus, mas um tempo de preparação profunda em nós, para que a bênção, quando chegar, não nos arruíne, mas nos edifique.
Portanto, orar com fé é orar com os olhos espirituais abertos, na expectativa de que Deus já está trabalhando. É crer que, antes mesmo de levantarmos do nosso lugar de oração, Ele pode ter iniciado a solução. Nossa ansiedade pode nos fazer acreditar que o silêncio é ausência, mas a fé nos ensina que o agir de Deus frequentemente precede nossa plena consciência dele.
Questão para Reflexão:
Ao refletir sobre suas orações atuais, você consegue identificar algum sinal, por menor que seja, de que Deus já está agindo enquanto você ora, mesmo antes da resposta final se manifestar?
Desafio de Oração:
Pai Celestial, hoje eu venho a Ti com um coração que deseja aprender a orar como o servo de Abraão: com fé específica e expectante. Ensina-me a confiar que, no momento em que eu inicio minha oração, Tu já entras em ação. Ajuda-me a não orar apenas com uma lista de pedidos, mas com um coração sensível para discernir Teus movimentos silenciosos. Prepara-me, Senhor, enquanto eu oro. Alinha meus desejos à Tua vontade e abre os olhos da minha fé para enxergar a “Rebeca” que Tu já estás trazendo ao meu caminho, antes mesmo que eu termine de falar. Que minha oração seja menos sobre pressionar-Te e mais sobre sintonizar-me contigo. Em nome de Jesus, amém.






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