Devocional: Esperar é Confiar
- Natan Nunes
- há 5 dias
- 3 min de leitura

“O povo, ao ver que Moisés demorava a descer do monte, juntou-se ao redor de Arão e lhe disse: ‘Venha, faça para nós deuses que nos conduzam, pois a esse Moisés, o homem que nos tirou do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu’.” Êxodo 32:1
O drama do bezerro de ouro é um dos mais reveladores e trágicos de toda a narrativa bíblica. Ele ocorreu não em meio à fome ou à perseguição, mas durante o silêncio da espera.
Moisés havia subido ao Monte Sinai para receber a Lei e a aliança diretamente de Deus. Para o povo, acampado abaixo, a ausência do seu líder visível, somada à aparente inatividade divina, criou uma crise de insegurança. A demora, que deveria ser um tempo de expectativa reverente, transformou-se em um cadinho que testou a profundidade de sua fé. Infelizmente, a fé que parecia robusta diante dos prodígios revelou-se frágil diante do silêncio.
A ansiedade coletiva gerou uma demanda por um substituto imediato, por um "deus" que pudessem ver, controlar e que atendesse ao seu ritmo. Este episódio serve como uma poderosa devocional sobre a espiritualidade da espera, alertando-nos sobre o que acontece quando confundimos o silêncio de Deus com Sua ausência.
A lição central é que a espera não é um acidente no caminho da fé; é parte intrínseca do caminho. É no intervalo entre a promessa e o cumprimento, entre a oração e a resposta, que nosso caráter é revelado e nossa confiança é refinada.
Israel não conseguiu suportar o desconforto da dependência invisível. Preferiram a idolatria ativa à espera passiva, trocando a realidade invisível de Deus por uma caricatura visível e manipulável. O bezerro de ouro representava uma solução rápida para a angústia da incerteza, mas era um deus que não podia ouvir, salvar ou guiar. Era a materialização do seu medo, não da sua fé.
Esta tentação ressoa profundamente em nossa experiência contemporânea. Vivemos em uma cultura do instantâneo, onde a espera é vista como falha do sistema, não como um processo necessário. Transferimos essa expectativa para nossa vida espiritual. Quando Deus não responde no nosso cronograma, quando uma provisão tarda, quando um relacionamento não se resolve, ou quando um chamado parece adormecido, nossa ansiedade pode nos levar a fabricar nossos próprios "bezerros de ouro".
Podem ser relacionamentos precipitados, decisões financeiras imprudentes, compromissos espirituais superficiais ou qualquer substituto que ofereça a ilusão de controle e progresso imediato. A espera, no entanto, é o território onde aprendemos que a fidelidade de Deus não é medida pela nossa percepção do tempo, mas pela certeza do Seu caráter.
A verdadeira espera, portanto, é um ato de confiança. Não é uma espera ociosa, mas uma espera ativa na fé, na oração e na obediência ao que já foi revelado. É o que o salmista descreve: "Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus" (Salmo 46:10). É no silêncio da espera que nossa dependência é aprofundada e nossa comunhão, purificada de interesses imediatistas.
Questão para Reflexão:
Em qual área da sua vida a "demora" de Deus está testando sua paciência e qual é a tentação de "fabricar um bezerro de ouro" – uma solução rápida, humana e fora da vontade dEle – para aliviar sua ansiedade?
Desafio de Oração:
Senhor, nos momentos de silêncio e espera, minha ansiedade cresce e minha fé vacila. Confesso a tendência do meu coração de querer resolver as coisas no meu tempo e do meu jeito. Ensina-me a esperar. Ajuda-me a confiar que, mesmo quando não vejo Teu movimento, Tu estás trabalhando. Dá-me a graça de descansar no Teu caráter fiel, não no meu cronograma desejado. Que o período de espera não seja um tempo de fabricação de ídolos, mas de aprofundamento da minha dependência e intimidade contigo. Em nome de Jesus, que esperou o tempo perfeito do Pai, amém.






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