Devocional: Pureza e Intimidade
- Natan Nunes
- há 6 horas
- 3 min de leitura

“Mantenham os israelitas separados das coisas que os tornam impuros, para que não morram por contaminar com sua impureza o meu tabernáculo, que está entre eles”. Levítico 15:31
Ao primeiro olhar, as complexas leis de pureza do livro de Levítico podem parecer um emaranhado de proibições desconectadas da realidade espiritual. Contudo, uma leitura mais atenta revela um princípio vital e amoroso que permeia cada instrução: a santidade não é um fim em si mesma; é o código necessário para experimentar a presença de Deus.
O verso-chave desta devocional declara o motivo por trás de todas as regras: “o meu tabernáculo, que está entre eles”. O problema não era a impureza em si como uma simples condição humana, mas a impureza que contamina o lugar onde Deus habita. A santidade exigida era uma medida de proteção, um espaço seguro criado por Deus para que um povo pecador pudesse experimentar a proximidade de um Deus absolutamente puro sem ser consumido.
A pureza ritual era, portanto, uma linguagem física que ensinava uma verdade espiritual profunda: a intimidade com Deus exige um ajuste de nossa natureza.
Deus não estava apenas ensinando higiene ou ética social; Ele estava estabelecendo um princípio do relacionamento. O Tabernáculo no centro do acampamento era um símbolo tangível de que o Senhor não desejava ser um Deus distante, mas um Deus que “habita no meio” do seu povo (Êxodo 25:8). No entanto, a Sua santidade, que é a essência do Seu caráter, é como um fogo consumidor (Hebreus 12:29).
A impureza, em sua definição bíblica, representa tudo o que é incompatível com essa santidade – a morte, a doença, o pecado moral, a desordem. Permitir que a impureza invadisse o espaço sagrado não seria uma mera infração cerimonial; seria uma violação da própria condição que tornava possível a relação. As leis eram, assim, uma graça pedagógica, ensinando que aproximar-se de Deus não é um ato casual, mas um movimento que requer uma preparação intencional do coração e da vida.
Este princípio encontra sua plenitude e transformação em Jesus Cristo. Ele não aboliu o chamado à santidade; Ele o interiorizou e tornou possível pela graça.
Em Cristo, o Tabernáculo já não é uma tenda de peles, mas o próprio coração do crente, onde o Espírito Santo habita (1 Coríntios 6:19). A “separação” que Deus pede agora não é primariamente física, mas espiritual e moral: “Portanto, saiam do meio deles e separem-se, diz o Senhor. Não toquem em coisas impuras, e eu os receberei” (2 Coríntios 6:17). A santidade, pela graça, deixa de ser um peso legalista para se tornar a resposta natural de um coração grato que deseja proteger a preciosa habitação de Deus dentro de si.
É um amor que se purifica porque ama (1 João 3:3).
Questão para Reflexão:
O que em sua rotina, seus pensamentos, seus hábitos ou seus relacionamentos pode estar funcionando como uma “impureza” que contamina o tabernáculo interno da presença de Deus (seu corpo e espírito), afetando sua intimidade com Ele?
Desafio de Oração:
Senhor, Tu que és santo e habitas no meio dos quebrantados e contritos, revela-me a beleza e o propósito do Teu chamado à santidade. Mostra-me que não se trata de restrição, mas do código de amor que protege nossa intimidade. Pelo poder do Teu Espírito, ajuda-me a identificar e a me separar de tudo que contamina o templo que sou eu, onde Tu escolheste morar. Que meu desejo de pureza não nasça do medo, mas do anseio profundo de ter Tua presença sem barreiras em minha vida. Sonda-me, purifica-me e aproxima-me mais de Ti. Em nome de Jesus, que me tornou puro pelo Seu sangue, amém.






Comentários