Devocional: Tempo, Amigo ou Inimigo?
- Natan Nunes
- 15 de jan.
- 3 min de leitura

“Ao final de dois anos, o faraó teve um sonho…” Gênesis 41:1
Essa simples frase, “ao final de dois anos”, carrega o peso de 730 dias de silêncio. Para José, esquecido na masmorra egípcia, cada um desses dias representava uma renovação da esperança frustrada.
Anos antes, ele havia confiado no copeiro-chefe, interpretado seu sonho com precisão e feito apenas um pedido: “Lembra-te de mim”. A promessa foi feita, mas o tempo passou, e a lembrança não veio. Dois anos inteiros se somaram a uma década já marcada por traição, escravidão e injustiça. Sob a perspectiva humana, este era o capítulo final de uma tragédia: o tempo como um inimigo cruel, corroendo a juventude e sepultando os sonhos dados por Deus. No entanto, a narrativa bíblica nos revela uma verdade contraintuitiva:
Na economia divina, o tempo de espera nunca é tempo perdido. É tempo investido.
Esta devocional nos convida a repensar nossa relação com o tempo, especialmente quando ele parece estagnado. Nosso instinto é ver a espera como um vácuo, um intervalo inútil entre a promessa e o cumprimento. Para José, no entanto, aqueles dois anos finais foram a fase mais crítica de seu preparo. Os anos anteriores o haviam ensinado administração na casa de Potifar e liderança na prisão.
Mas esses últimos 24 meses de esquecimento humano foram o cadinho que refinou sua fé de qualquer resquício de dependência de conexões ou de seu próprio talento. Eles o forçaram a depender exclusivamente de Deus. Quando o copeiro finalmente se lembrou dele, José não era mais apenas um intérprete de sonhos talentoso; era um homem cujo caráter havia sido temperado na fornalha do abandono, pronto para uma autoridade que não o corromperia. A sincronia era perfeita: Faraó teve seu sonho apenas quando José estava plenamente preparado e o Egito estava à beira da crise.
Deus opera com uma cronometria soberana que transcende nossa impaciência. O “atraso” não é um descuido divino; é um dispositivo de preparação. Enquanto esperamos, Deus está realizando um trabalho duplo: Ele está moldando nossas circunstâncias externas para o momento exato do Seu agir, e, simultaneamente, está moldando nosso caráter interno para suportar e administrar a bênção que virá. José precisava aprender fidelidade no oculto para governar com integridade no palácio. Nós, em nossas esperas, somos chamados à mesma fidelidade nas “pequenas coisas” – em nossas atitudes, nossa confiança, nossa obediência – confiantes de que este é o treinamento necessário para o propósito maior.
A sociedade nos pressiona pelo imediatismo, mas o caminho de Deus frequentemente percorre a estrada mais longa da maturidade.
A espera não nega a promessa; ela a protege, garantindo que, quando ela se cumprir, sejamos pessoas capazes de abraçá-la sem sermos destruídos por ela.
Questão para Reflexão:
Em qual área da sua vida você está experimentando um “silêncio” ou uma espera prolongada? O que Deus pode estar ensinando a você ou preparando em você durante este tempo, que seria impossível em um momento de movimento rápido?
Desafio de Oração:
Pai, eu te entrego minha ansiedade com o tempo. Confesso que muitas vezes vejo a espera como Teu esquecimento ou como um inimigo. Transforma minha perspectiva. Ajuda-me a ver estes períodos como o Teu terreno sagrado de preparo. Ensina-me a ser fiel e a crescer no oculto, como José. Desenvolve em mim a paciência, a perseverança e uma confiança mais profunda no Teu timing perfeito. Que eu possa descansar na verdade de que Tu estás ativamente trabalhando durante a espera, preparando-me e orquestrando as circunstâncias para o Teu momento de promoção e propósito. Em nome de Jesus, que ressuscitou no tempo certo, amém.






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