Devocional: A última visão de José
- Natan Nunes
- 18 de jan.
- 3 min de leitura

“E José fez que os filhos de Israel lhe prestassem um juramento, dizendo-lhes: ‘Quando Deus intervier em favor de vocês, levem os meus ossos daqui’.” Gênesis 50:25
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José, no leito de morte, cercado pela prosperidade e segurança que ele mesmo construiu no Egito, proferiu uma das declarações de fé mais radicais e visionárias de toda a Bíblia. Ele não pediu um mausoléu grandioso às margens do Nilo. Não pediu que seu nome fosse inscrito entre os grandes vizires do Faraó. Seu pedido foi paradoxal e profético: que seus ossos não repousassem para sempre na terra que lhe deu glória, mas que fossem levados embora quando Deus visitasse Seu povo.
Este momento encapsula a essência de uma visão que transcende circunstâncias, conforto e até mesmo a própria morte. Nesta devocional, exploramos o que significa possuir uma visão que se ancora não no sucesso temporal, mas na promessa eterna.
Ao longo de sua vida, José demonstrou visão de sobra: visão para interpretar sonhos, visão para planejar economicamente, visão para administrar um império. Contudo, a visão que o definiu foi a que ele manteve sobre sua própria identidade e destino. O Egito era uma etapa, um instrumento da providência divina, mas nunca o fim. Ele compreendeu que o conforto presente de sua família na terra de Gósen era um perigo espiritual. Poderia se tornar uma armadilha, fazendo-os esquecer que eram peregrinos, herdeiros de uma promessa que apontava para Canaã.
Sua exigência sobre seus ossos era uma declaração teológica poderosa: “Eu não sou egípcio. Minha história não termina aqui. Minha esperança está no quando Deus intervier, não no que o Egito pode oferecer.” Ele morreu como um estrangeiro de coração, fixando os olhos na futura libertação que só conheceria pela fé.
Este episódio confronta nossa tendência natural à acomodação. Quantas vezes nos apegamos ao nosso “Egito” – seja uma posição confortável, uma rotina segura, um sucesso reconhecido – e começamos a confundir a bênção temporária com o destino final?
A visão de José nos chama a um constante reajuste de perspectiva. Ela nos pergunta: estamos investindo nossa paixão e propósito apenas na construção de legados terrenos, ou estamos vivendo como cidadãos de um reino que não é deste mundo? O maior poder da visão não é nos projetar para o topo das estruturas humanas, mas nos manter ancorados na realidade invisível das promessas de Deus, mesmo quando tudo ao nosso redor sugere o contrário.
A verdadeira visão, portanto, é uma visão de saída. Ela nos liberta da idolatria do presente e nos orienta para um futuro garantido por Deus. José poderia ter dito “enterrem-me aqui com honras”. Em vez disso, ele disse, essencialmente: “Guarde meus ossos numa mala, porque nós vamos sair.” Sua fé projetou-se centenas de anos à frente, para o Êxodo... para a terra prometida.
Questão para Reflexão:
O que em sua vida atual representa o “Egito” – um conforto, um sucesso ou uma identidade temporária – que, se você não tomar cuidado, pode fazer você esquecer que é um peregrino a caminho de uma promessa maior?
Desafio de Oração:
Senhor Deus, dá-me a visão de José. Livra-me da miopia espiritual que se contenta com os confortos e conquistas passageiros. Ajuda-me a ver minha vida, meus recursos e meu legado dentro da Tua narrativa eterna de redenção. Que meu coração nunca se estabeleça de forma definitiva onde não é meu lar final. Concede-me a fé para viver como um peregrino, investindo no temporal com as mãos abertas, mas com o coração fixo no eterno. Que, no final de meus dias, minha maior preocupação seja estar alinhado com o Teu movimento no mundo, e não com a preservação de minha memória nele. Em nome de Jesus, que nos prepara uma morada eterna, amém.






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