Devocional: Não Tenha Medo do Passado
- Natan Nunes
- 19 de jan.
- 3 min de leitura

“...mas o Senhor lhe disse: 'Estende a mão e pega-a pela cauda'. Moisés estendeu a mão, pegou a serpente e esta se transformou numa vara em sua mão.” Êxodo 4:4
O deserto de Midiã não era apenas um cenário geográfico para Moisés; era uma paisagem interior. Durante quarenta anos, ele viveu marcado por um duplo rótulo: príncipe fracassado e assassino fugitivo.
O cajado que empunhava como pastor não era um simples pedaço de madeira; era o símbolo tangível de sua queda, da identidade perdida e de uma vida reduzida ao anonimato e à aparente irrelevância. Tudo mudou quando a sarça começou a arder. Ao chamar Moisés, Deus não ignorou seu passado; Ele o confrontou diretamente através daquele mesmo objeto que o definia.
A ordem “Lança-o ao chão” (Êxodo 4:3) foi um convite para que Moisés jogasse sua história, sua segurança e sua autoimagem no chão da presença divina. E o que aconteceu? O símbolo de sua vida simples e segura transformou-se em uma serpente – um símbolo do perigo, do pecado e do medo que o assombrava, provavelmente da própria serpente do Éden e do juízo que ele temia.
A reação de Moisés foi instintiva: ele fugiu.
Quem não fugiria?
É isso que fazemos com nosso passado doloroso: recuamos, evitamos, tentamos enterrá-lo. Mas Deus não o deixou fugir. A ordem subsequente foi ainda mais desafiadora: “Estende a mão e pega-a pela cauda”. Pegar uma serpente pela cauda exige uma coragem sobrenatural; é agarrar exatamente aquilo que mais nos amedronta, de uma maneira que parece contra-intuitiva e arriscada.
Esta devocional nos revela um princípio profundo da redenção: Deus não apenas pede que encaremos nosso passado; Ele nos ordena que o agarremos, que o tomemos em nossas mãos, sob Sua direção. A obediência de Moisés resultou em um milagre duplo: a serpente voltou a ser cajado, mas agora não era mais o cajado da vergonha. Era o “cajado de Deus” (Êxodo 4:20), um instrumento de autoridade, prodígio e libertação.
A ferramenta de seu fracasso tornou-se a ferramenta dos maiores milagres da história.
Este episódio é um poderoso convite para nós. Todos carregamos nossos próprios “cajados”: memórias de erros, consequências de más escolhas, sentimentos de vergonha ou períodos de vida que consideramos perdidos. Temos medo de que, se os lançarmos diante de Deus, eles se transformem em serpentes – que a dor se torne avassaladora, que a culpa nos ataque. Mas a promessa de Deus permanece: Ele ordena que estendamos a mão e agarremos, pela fé, justamente aquilo que nos apavora. Quando o fazemos em obediência, Sua graça opera a transformação.
O passado não é apagado, mas seu significado é redimido. Ele deixa de ser uma força que nos paralisa e se torna um testemunho do poder transformador de Deus, um instrumento em Suas mãos para abrir caminhos onde parece não haver saída.
Questão para Reflexão:
Qual é o “cajado” do seu passado (um erro, uma falha, uma temporada de derrota) que você ainda teme lançar diante de Deus, com medo do que possa se tornar? Você está disposto a obedecer ao Seu comando de “estender a mão e pegá-lo”?
Desafio de Oração:
Senhor Deus, eu trago a Ti o cajado da minha história. Confesso o medo de lançá-lo ao chão da Tua presença. Dá-me a coragem de Moisés para obedecer. Ajuda-me a estender a mão e agarrar, pela fé, as memórias e as consequências que me assustam. Eu Te peço: transforma esta serpente do meu passado de novo em vara. Ressignifica minha história. Faze do meu testemunho de fracasso um instrumento da Tua autoridade e graça, para que outros vejam que Tu és o Deus que redime e usa tudo para o Teu propósito. Em nome de Jesus, que tomou sobre Si toda a nossa culpa para nos dar uma nova identidade, amém.






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