Devocional: O Perigo Está nos Olhos
- Natan Nunes
- 5 de jan.
- 3 min de leitura
“Olhou então Ló e viu todo o vale do Jordão, todo ele bem irrigado, até Zoar; era como o jardim do Senhor, como a terra do Egito. Isto se deu antes do Senhor destruir Sodoma e Gomorra.” – Gênesis 13:10

Aquele momento decisivo, quando Ló ergueu os olhos e contemplou o vale do Jordão, oferece uma das lições mais visuais e profundas para a nossa caminhada de fé. Diante da generosa oferta de seu tio, Abraão, para que escolhesse primeiro a terra para onde iria, Ló não consultou a Deus, não ponderou os riscos espirituais, nem buscou discernimento. Ele simplesmente confiou no testemunho de seus próprios olhos. O que eles viram era inegavelmente sedutor: terras férteis, bem irrigadas, prometendo prosperidade, conforto e um futuro próspero. Era um cenário que se parecia com o Éden e o Egito, símbolos máximos de abundância e civilização. No entanto, aquela beleza exterior era um véu, um disfarce perigoso que escondia a corrupção moral de Sodoma e Gomorra. A escolha que parecia tão lógica, fundamentada na evidência visual mais convincente, tornou-se, no fim, um portal para a tragédia, o conflito familiar e um resgate dramático.
Esta narrativa nos confronta com uma verdade incômoda: nem tudo o que nossos olhos avaliam como “bom” é verdadeiramente bom para nós. A avaliação puramente humana é falível e frequentemente superficial. Ela pesa a estética, a conveniência e o ganho imediato, mas é cega para as realidades espirituais, as consequências de longo prazo e os propósitos de Deus. Jesus, em Seu profundo ensinamento, alertou:
“Os olhos são a candeia do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será cheio de luz. Mas se os teus olhos forem maus, todo o teu corpo será cheio de trevas” (Mateus 6:22-23).
Ló teve “olhos maus” no sentido de que seu olhar foi egoísta, curto e desconectado da perspectiva divina. Ele viu a terra, mas não enxergou o perigo. Viu a oportunidade, mas foi cego para o custo. Em nítido contraste, a postura de Abraão oferece o modelo alternativo.
Quando Ló escolheu o que parecia ser o melhor, Abraão não recorreu a argumentos ou tentou garantir seus próprios interesses. Ele não operava pela lógica do que os olhos podiam ver, mas pela certeza do que o coração, cheio de fé, conhecia. Abraão confiava que Aquele que o havia chamado e prometido seria fiel para cumprir Sua palavra, independentemente da geografia. Sua segurança não estava na fertilidade de um vale, mas na fidelidade de seu Deus. Ele viveu o princípio que o apóstolo Paulo mais tarde canonizaria:
“O justo viverá pela fé” (Romanos 1:17).
A fé é a capacidade de enxergar o invisível (Hebreus 11:1); é o óculo espiritual que corrige a miopia da nossa alma e nos permite discernir o caminho de Deus além das aparências atraentes. Em nossa vida prática, quantas vezes nos deparamos com nossos “vales do Jordão”? Eles se apresentam como oportunidades profissionais brilhantes que comprometem nossos valores, relacionamentos atraentes que desviam nossa aliança, caminhos de sucesso rápido que nos afastam da comunidade da fé. A pressão para decidir com base no que é visível, tangível e imediatamente gratificante é enorme. Esta devocional é um convite à pausa, a fechar os olhos físicos para abrir os olhos do coração. Toda decisão importante demanda um momento de cegueira sagrada, onde desviamos o olhar do brilho do mundo para fixá-lo na face de Cristo, buscando Sua vontade acima da nossa avaliação.
Questão para Reflexão:
Qual é o “vale do Jordão” que você está olhando no momento – uma situação, oportunidade ou relacionamento que parece irresistivelmente bom aos seus olhos, mas sobre o qual você ainda não buscou, em oração e submissão, a perspectiva de Deus?
Desafio de Oração:
Senhor, hoje eu te entrego minha visão. Confesso que muitas vezes sou como Ló, permitindo que meus olhos guiem meus passos em direção ao que parece verde e promissor, sem consultar-te. Purifica a candeia dos meus olhos. Dá-me um coração como o de Abraão, que mesmo diante da aparente desvantagem, descansava na certeza do Teu cuidado. Ajuda-me a não confiar no que vejo, mas a andar pela fé no que Tu declares. Em cada encruzilhada, que meu primeiro movimento seja fechar os olhos e abrir o coração à Tua direção. Em nome de Jesus, amém.






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