Devocional: A vida entre altares
- Natan Nunes
- 7 de jan.
- 3 min de leitura

“Quando chegaram ao lugar que Deus lhe havia indicado, Abraão construiu um altar e sobre ele arrumou a lenha. Amarrou Isaque, o seu filho, e o colocou sobre o altar, em cima da lenha.” – Gênesis 22:9
A vida de fé é uma jornada marcada por encontros sagrados. Para Abraão, o pai da fé, esses encontros eram comemorados e consagrados através de uma prática poderosa: a construção de altares. Ao longo de sua trajetória, ele ergueu quatro altares principais, cada um em um lugar geográfico e espiritual específico, mapeando não apenas seu caminho físico pela terra prometida, mas também sua ascensão espiritual rumo a uma confiança total no Deus que o chamara.
Esta devocional nos convida a refletir sobre esses marcos, pois eles delineiam um caminho que também é nosso.
O primeiro altar foi erguido em Siquem, um nome que significa “ombro”. Este não era um local de pedras aleatórias, mas um símbolo profundo. No ombro, carregamos responsabilidades. Ali, Abraão aceitou o peso do chamado divino. Era o altar da responsabilidade, onde ele reconheceu: “Este é o Deus que me falou, e eu O recebo como meu Senhor”. Foi um ato de assumir o jugo da missão, de se comprometer com um propósito maior que si mesmo. Antes de qualquer bênção visível, veio a entrega do ombro à carga da obediência.
Em seguida, entre Betel (“Casa de Deus”) e Ai (“ruína”), ele levantou seu segundo altar. Este é o altar da escolha e da adoração. A localização é reveladora: Betel aponta para a presença e a bênção de Deus, enquanto Ai simboliza a derrota e a ruína humana (como mais tarde Josué descobriria). Este altar fala do constante tensionamento em nossa mente e coração. Ele nos pergunta: para onde nos voltaremos? Para a Casa de Deus, o lugar da intimidade e da vida, ou para as ruínas da autossuficiência e do pecado? É um altar que nos chama a adorar, justamente no limiar entre essas duas realidades, reafirmando diariamente nossa decisão por Deus.
O terceiro altar surge em Hebrom, perto dos carvalhos de Manre. Hebrom significa “comunhão” ou “amizade”, e Manre, “força” ou “vigor”. Este é, portanto, o altar da amizade e força. Não é mais o altar do compromisso inicial ou da escolha diária, mas o altar de uma relação profunda. Aqui, Abraão desfrutou da presença de Deus como amigo (Gênesis 18), intercedeu por outros e recebeu a força que só a intimidade verdadeira pode proporcionar. É na amizade com Deus que nossa alma encontra seu verdadeiro vigor.
Finalmente, o último e mais dramático altar foi construído no monte Moriá, “o lugar da provisão”. Este é o altar da fé absoluta. Aqui, tudo o que era mais precioso—seu filho, sua promessa, seu futuro—foi colocado sobre a pedra. Não havia lógica humana que justificasse aquele ato. Havia apenas a confiança inabalável no caráter de Deus. Abraão creu que, mesmo da morte, Deus poderia trazer vida e que Ele mesmo proveria. E Deus proveu. Este altar nos ensina que a fé mais madura é aquela que obedece no escuro, confiando que o fogo do juízo será sempre suplantado pelo cordeiro da provisão.
Esses altares não são relíquias do passado.
Eles traçam o mapa da nossa própria jornada espiritual: assumir nossa responsabilidade em Cristo, escolher adorá-Lo diariamente, aprofundar nossa amizade com Ele e, por fim, confiar-Lhe tudo em fé sacrificial. Nossa vida é construída entre esses altares.
Questão para Reflexão:
Em qual destes “lugares” da sua jornada de fé você se encontra atualmente: no altar da responsabilidade (Siquem), da escolha diária (Betel-Ai), da amizade profunda (Hebrom) ou da fé provada (Moriá)? O que Deus está pedindo que você coloque sobre o altar neste momento?
Desafio de Oração:
Senhor Deus, Tu que guiaste Abraão de altar em altar, guia-me também. Ajuda-me a erguer o altar da responsabilidade, assumindo com seriedade o chamado que tens para mim. Fortalece-me para construir o altar da adoração diária, escolhendo-Te sobre todas as ruínas atrativas deste mundo. Conduz-me ao altar da amizade, onde meu coração encontra descanso e força na Tua presença. E, quando chegar a hora, dá-me a coragem de subir ao Moriá da minha vida, confiando que a Tua mão proverá tudo o que for necessário. Que minha vida seja uma sucessão de altares que testemunham a Tua fidelidade. Em nome de Jesus, amém.






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